"Em artigo, médico Dráuzio Varella derruba argumentos contra homossexualidade"

Dráuzio Varella diz que ser gay é tão legítimo quanto ser hétero

Autor: Por : Neto Lucon - Foto : Reprodução

Quando: 06/12/2010 - 12h25


Dráuzio Varella pergunta: o que de fato muda na sua vida?

Dráuzio Varella diz que ser gay é tão legítimo quanto ser hétero Médico influente no Brasil, Dráuzio Varella escreveu mais um artigo em prol da comunidade LGBT. Publicado pela Folha de São Paulo no sábado, 4, ele defendeu o direito de ser homossexual e utilizou várias teses para derrubar argumentos homofóbicos. Ano passado, Dráuzio escreveu um texto em que defendia as travestis.

No artigo, o médico diz que em todas as épocas e civilizações sempre existiu a homossexualidade, mas que muitas pessoas consideram o ato homossexual como antinatural. “Se partirmos de princípio tão frágil (Deus fez os órgãos sexuais para a procriação), como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer a língua para articular palavras?”

De acordo com o médico, os argumentos de que a homossexualidade é uma perversão humana cai por terra quando ela também é encontrada entre outros animais. “Comportamento homossexual foi documentado em fêmeas e machos de ao menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, coelhos, gatos, cabritos, poços, antílopes, macacos e até leões, os reis da selva.”

Dráuzio também fala sobre aqueles que consideram a homossexualidade uma escolha: “Quer dizer, num belo dia, pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas, como sou –sem-vergonha, prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo. Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.”

O médico alega que a sexualidade não admite opções e que é possível controlar o comportamento, mas nunca o desejo. “O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.”

Ele também afirma que o comportamento homossexual é tão legítimo e inevitável quanto a heterossexualidade e que reprimi-lo é um ato de violência. “Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser nazistas a ponto de pretender impor sua vontade aos mais esclarecidos.”

Dráuzio finaliza perguntando ao leitor o que de fato muda na vida de uma pessoa o fato de a colega do escritório gostar de mulher, do vizinho se deitar com outro homem, ou de o apartamento de um gay ser herdado pelo sobrinho ou por um companheiro que conviveu por mais de 30 anos.